“Sabores do Mundo” - Piquenique promove integração social de refugiados em Brasília

Por Sthael Samara

 

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Aconteceu neste domingo (2), no Parque Ana Lídia, em Brasília, o piquenique "Sabores do Mundo" em comemoração ao Dia das Boas Ações. O piquenique integrou o conjunto de muitas outras atrações musicais, teatrais e educativas durante todo o dia, organizadas por várias instituições atuantes no DF.

Promovido pelo Coletivo Bambuo e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), o piquenique faz parte do projeto “Mais pontes, Menos muros”, uma campanha nacional de apoio ao imigrante e ao refugiado através do incentivo à economia criativa. Refugiados e refugiadas da Colômbia, Síria, Paquistão e Congo deliciaram a tarde dos frequentadores do Parque e dos convidados com comidas típicas de vários lugares do mundo, sem que tivessem que sair de Brasília

A chance de realizar uma rica troca cultural foi muito apreciada pelos brasilienses que compareceram e prestigiaram o evento. “As pessoas gostam de experimentar comidas diferentes e gostam ainda mais da chance de conversar com essas pessoas, que são muito amigáveis.”, afirma Marina Miranda, coordenadora de projetos do Bambuo.

Para Rosita Milesi, diretora do Instituto Migrações e Direito Humanos (IMDH) – parceiro e apoiador do piquenique - eventos como esse são valiosos para a construção de uma sociedade mais inclusiva para refugiados e imigrantes. “Com esta interação, os refugiados e refugiadas vão abrindo espaços e a comunidade passa a conhecê-los melhor, apoia e aprecia seu rico aporte à cultura brasileira. Assim, novos caminhos de integração se abrem para os refugiados, com oportunidades de abertura e acolhida da comunidade”, diz.

Os quitutes vendidos durante o “Sabores do Mundo” foram feitos por mulheres refugiadas que fazem parte do Projeto “Mulheres que inspiram o mundo”, iniciativa especialmente voltada ao empoderamento de refugiadas e imigrantes.

Mulheres que inspiram o mundo

Cerca de 180, das 844 pessoas que solicitaram refúgio em Brasília durante o ano de 2016, eram mulheres. De acordo com dados do IMDH, a porcentagem de 21% é quase o dobro da apresentada no ano anterior, quando os números de mulheres refugiadas foram de 13% do total de solicitantes. Ao chegarem ao Brasil, essas mulheres têm sua integração social comprometida devido a barreiras como língua, cultura, capacitação e oportunidades profissionais.

Para colaborar na integração destas solicitantes de refúgio e refugiadas, o IMDH, em parceria com o Coletivo Bambuo na campanha “Mais Pontes, Menos Muros”, criou o projeto “Mulheres que Inspiram o Mundo” que faz um mapeamento das mulheres refugiadas no DF e de suas necessidades, e planeja ações que visam garantir seus direitos enquanto mulheres e promovam sua autonomia e empoderamento.

Apontando a importância de oferecer oportunidades de integração à mulheres refugiadas, a diretora do Instituto, Rosita Milesi, explica que pelas dificuldades que enfrentam e as limitações de idioma e condições econômicas, as mulheres refugiadas se tornam, na maior parte das vezes, socialmente invisíveis. “O que se identifica é que essas mulheres, principalmente nos primeiros tempos de sua chegada ao país, permanecem limitadas ao ambiente doméstico, com dificuldades de acesso a aulas de português e sem participação em atividades comuns do dia a dia fora de suas casas.”, diz.

O Dia das Boas Ações, celebrado em mais de 70 países, é organizado no Brasil pela ONG Atados que promove eventos com parceiros em cerca de 40 cidades brasileiras. Segundo os organizadores, as atividades desenvolvidas beneficiam mais de 40 mil pessoas em todo o país.

Refugiados e Refugiadas